AGRADECIMENTOS

No início deste mês de junho encerramos mais uma edição do Festival Internacional de Música de Câmara de Manaus – Encontro na Selva, que contou com um público entusiasmado de estudantes, professores e amantes da música, lotando o auditório da UEA em todas as noites de concerto. O interesse do público, a variedade de repertório e a ótima qualidade musical dos grupos indicou um potencial latente do gênero da música de câmara na cidade, que conta com excelentes instrumentistas atuando nas diversas instituições musicais existentes. Neste sentido, o festival serve como um espaço que oportuniza estes encontros musicais, tanto entre instrumentistas quanto com o público.

Para que esta edição obtivesse êxito, tivemos o apoio e a colaboração de várias pessoas, listadas abaixo. Em primeiro lugar, foi de fundamental importância o apoio da Universidade do Estado do Amazonas, que nos cedeu o espaço para os concertos, assim como proporcionou a confecção dos programas e cartazes. Portanto, nossos mais sinceros agradecimentos ao Reitor da UEA, Sr. Cleinaldo de Almeida Costa, pelo apoio institucional; ao Coordenador Pedagógico do Curso de Música, Prof. Vadim Ivanov, pelo apoio logístico; e à Gabriela Gontijo, que através da Pró-Reitoria de Extensão da UEA nos forneceu apoio na confecção do material impresso e de divulgação. Além deles tivemos o patrocínio da Tropical Multiloja, que representada pelo Sr. Allan Kardec Jr. proporcionou a afinação e regulagem do piano para os concertos, assim como a contribuição voluntária de Rosie McMahon, doutoranda em Musicologia pela universidade de Oxford, que esteve presente em todos os concertos e redigiu uma resenha em inglês sobre o evento, que foi gentilmente traduzido para o português por Natália Sagaydo, estudante da UFAM. Nossa gratidão a todas estas pessoas por acreditarem na realização de eventos culturais como o nosso. Até o próximo ano!

Comissão Organizadora

Já em sua quarta edição, o Festival Internacional de Música de Câmara de Manaus vem se firmando desde 2015 como um evento regular que visa promover a colaboração musical através do diálogo intimista das obras compostas para pequenos grupos instrumentais. O caráter internacional do festival surgiu do fato de envolver desde sua primeira edição músicos de várias nacionalidades atuantes em Manaus, principalmente professores do Curso de Música da Universidade do Estado do Amazonas e membros da Amazonas Filarmônica. Outro objetivo importante do evento é proporcionar um espaço para que estudantes possam ganhar experiência artística e desenvolver as habilidades necessárias para a colaboração musical. Por fim, busca-se levar ao público a riqueza do repertório camerístico, contribuindo assim para a construção de uma programação musical ainda mais diversificada na cidade.

Breve resenha do “IV Encontro na Selva”
Série de música de câmara na Universidade do Estado do Amazonas

É difícil encontrar silêncio no Brasil e, especialmente, na cidade amazônica de Manaus. A umidade tropical e o sol intenso demandam a presença constante dos aparelhos de ar-condicionado, cujo zunido preenche os espaços internos de uma maneira um tanto opressora. Por vezes, no entanto, isto pode ser superado, como ocorreu em ocasião recente, quando as correntes de música europeia adentraram a Universidade do Estado do Amazonas de maneira convincente. Em seu auditório universitário, um espaço foi aberto para ouvintes sentirem e respirarem, libertados de seu entorno pela música.

Entre maio e junho de 2017 a quarta edição do festival de música de câmara “Encontro na Selva” ocorreu na universidade. Durante o meu trabalho em um projeto de pesquisa em Manaus, tive a oportunidade de ouvir duas das três apresentações programadas para o festival. Sem saber realmente o que esperar deste evento, devo dizer sem ressalvas que fui agradavelmente surpreendida.

O concerto de abertura, que incluiu o “Divertimento em Fá Maior, K.138” de Mozart, o “Quarteto No. 12 em Fá Maior” de Dvorák e a “Abertura sobre Temas Hebraicos” de Prokofiev, demonstrou as habilidades dos professores da universidade, com o intuito de prover uma boa referência aos estudantes, estimulando assim a busca por um nível profissional através de estudo e dedicação. Com energia cativante, o concerto foi recebido com entusiasmo por uma plateia de estudantes, amigos e familiares. A interpretação do Dvorák se destacou por ser comunicada de maneira sensível e emocional. Já o concerto de encerramento ficou a cargo em grande parte por estudantes, dando a eles a oportunidade de demonstrar seu progresso. Os instrumentistas de cordas mereceram menção especial por tocarem não apenas com habilidades técnicas impressionantes, mas também com um admirável senso de direção musical. É sempre bom ver solistas tocando de memória, conseguindo se distanciar da partitura impressa e mergulhando mais profundamente na expressão musical. Diversos dos outros instrumentistas tocaram igualmente bem, embora alguns poderiam se beneficiar se, ao invés de se preocuparem em tocar apenas notas correta, buscassem sentir prazer e experimentar um pouco mais. A performance de encerramento, com o “Le Grand Tango” de Piazzolla, foi realizada com compostura e entusiasmo, deixando a audiência ir embora entre comentários animados.

A música de câmara encontrou uma plataforma pequena, porém importante, nesta universidade. Podem existir obstáculos, como a presença do ar-condicionado ou o peso da umidade, mas a tensão das cordas de um violino ou o sopro que percorre um clarinete os superam de maneira bastante humana. No “Encontro na Selva”, músicos de câmara de todas as idades, níveis técnicos e nacionalidades tiveram êxito em perfurar a bolha do dia-a-dia, transportando o público para outra realidade através da música.

Rosie McMahon, estudante de doutorado em musicologia na Universidade de Oxford


Apresentou-se naquela noite a belíssima Abertura sobre temas Hebraicos, op. 34 de Sergei Prokofiev. A execução do Quinteto Elgar foi de uma consciência musical muito madura. Fizeram música de câmara com uma fluência e uma temperatura sonora que aproximou o público presente. Atentos aos inúmeros detalhes da partitura, o Quinteto Elgar cantou e coloriu durante todos os dez minutos de música – de um dó menor ao outro.

Maestro Otávio Simões, Regente da Amazonas Filarmônica e da Orquestra Experimental da Amazonas Filarmônica